Alejandra Pizarnik responde -8 perguntas a escritoras, atrizes, mulheres de ciência, das artes, do trabalho social e do jornalismo

8 PERGUNTAS A ESCRITORAS, ATRIZES, MULHERES DE CIÊNCIA, DAS ARTES, DO TRABALHO SOCIAL E DO JORNALISMO[1]

 

  1. Acredita que a mulher, em todos os planos, devem ter os mesmos direitos do homem?

AP – A mulher nunca teve os mesmos direitos que o homem. Deve chegar a tê-los. Não digo somente eu. Rimbaud também o disse: Quando for quebrada a servidão infinita da mulher, quando ela viver para si e por si mesma, quando o homem – até então abominável – lhe tiver dado sua alforria, também ela será poeta! A mulher encontrará o ignoto! Seu mundo de ideias diferirá do nosso? – Ela encontrará coisas estranhas, insondáveis, repelentes, deliciosas; nós as tomaremos, as compreenderemos. [Carta de Rimbaud para Paul Demeny, Charleville, 15 de Maio de 1871. Tradução de Ivo Barroso.][2].

Inútil acrescentar que as palavras do poeta formam um raciocínio utópico. É que nada temem tanto, mulheres ou homens, quanto a mudança.

  1. Acredita que a sociedade atual precisa de uma reforma e que será de benefício das mulheres?

AP – Não creio que a sociedade precise atual precise de uma reforma. Creio que precise de uma mudança radical, e é nesse sentido que poderão ser de benefício das mulheres.

  1. Acredita ser necessária a educação sexual?

AP – Claro, já que o sexual é árduo.

  1. Pelo fato de ser mulher encontrou impedimentos em sua carreira? Teve que lutar? Contra quê e contra quem?

AP – A poesia não é uma carreira, é um destino.

Embora ser mulher não me impeça de escrever, creio que vale a pena partir de uma lucidez exasperada. Deste modo, afirmo que ter nascido mulher é uma desgraça, como é ser judeu, ser pobre, ser negro, ser homossexual, ser poeta, ser argentino, etc., etc. Claro é que o importante é aquilo que fazemos com nossas desgraças.

  1. Acredita que as leis que regem o controle de natalidade e o aborto devem estar nas mãos da Igreja e de homens que governam, ou nas das mulheres que, apesar de serem as protagonistas do problema, não tem tido voz nem voto em algo que lhes concerne vitalmente?

AP – Essa pergunta faz referência a um estado de coisas absurdo. Cada um é dono de seu próprio corpo, cada um controla como quer e como pode. É o demônio das baixas proibições quem, amparando-se em mentiras “morais”, puderam em mãos governamentais ou eclesiásticas as leis que regem o aborto. Essas leis são imorais, donas de uma crueldade inaudita. Cabe acrescentar que, para ilustrar, a sugestão de Freud de que aquele que inventar o contraceptivo perfeito ou infalível seria tão importante para a humanidade quanto Jesus Cristo.

  1. É partidária do divórcio?

AP – Acaso é possível não ser?

  1. Qual acredita ser problema mais urgente da mulher?

AP – Os conflitos da mulher não residem em só problema possível de assinalar. Neste caso, e em outros, a ordem segue sendo: “Changer la vie”.

  1. Você está interada da luta da mulher por seus direitos nos séculos XIX e XX? Sabe quais foram os primeiros países a reconhecê-los e até que limites?

AP – Ignoro estes temas.

***

8 PREGUNTAS A ESCRITORAS, ACTRICES, MUJERES DE CIENCIA, DE LAS ARTES, DEL TRABAJO SOCIAL Y DEL PERIODISMO

  1. ¿Cree que la mujer, en todos los planos, ha de tener los mismos derechos que el varón?

La mujer no ha tenido nunca los mismos derechos que el hombre. Debe llegar a tenerlos. No lo digo solamente yo. Rimbaud también lo dijo “Quand sera brisé l’infini servage de la femme, quand elle vivra pour elle et par elle, l’homme -jusqu’ici abominable-, lui ayant donné son renvoi, elle sera poète, elle aussi! La femme trouvera de l’ inconnu. Ses modes d’idées différeront-ils des nôtres?- Elle trouvera des choses étranges, insondables, repoussantes, délicieuses; nous les prendons, nous les comprendrons.” [Carta de Rimbaud a Paul Demeny (Chaleville, 15/V/1871).]

Inútil agregar que las exaltadas palabras del poeta conforman un razonamiento utópico. Es que nada temen tanto, mujeres u hombres, como los cambios.

  1. ¿Cree que la sociedad actual necesita una reforma y que redundará en beneficios de la mujer?

No creo que la sociedad actual necesite una reforma. Creo que necesita un cambio radical, y es en ese sentido que pueden redundar beneficios para la mujer.

  1. ¿Cree necesaria la educación sexual?

Por cierto, puesto que lo sexual es arduo.

  1. Por el hecho de ser mujer, ¿ha encontrado impedimentos en su carrera? ¿Ha tenido que luchar? ¿Contra qué y contra quién?

La poesía no es una carrera; es un destino.

Aunque ser mujer no me impide escribir, creo que vale la pena partir de una lucidez exasperada. De este modo, afirmo que haber nacido mujer es una desgracia, como lo es ser judío, ser pobre, ser negro, ser homosexual, ser poeta, ser argentino, etc. Claro es que lo importante es aquello que hacemos con nuestras desgracias.

  1. ¿Cree que las leyes que rigen el control de natalidad y el aborto deben estar en manos de la Iglesia y de los hombres que gobiernan o bien en el de las mujeres que, a pesar de ser las protagonistas del problema, no han tenido ni voz ni voto en algo que les concierne vitalmente?

Esta pregunta hace referencia a un estado de cosas absurdo. Cada uno es dueño de su propio cuerpo, cada uno lo controla como quiere y como puede. Es el demonio de las bajas prohibiciones quien, amparándose en mentiras “morales”, ha puesto en manos gubernamentales o eclesiásticas las leyes que rigen el aborto. Esas leyes son inmorales, dueñas de una crueldad inaudita. Cabe agregar, a modo de ilustración, la sugerencia de Freud de que aquel que inventara el anticonceptivo perfecto o infalible sería tan importante para la humanidad como Jesucristo.

  1. ¿Es partidaria del divorcio?

¿Acaso es posible no serlo?

  1. ¿Dónde cree que está el problema más urgente de la mujer?

Los conflictos de la mujer no residen en un solo problema posible de señalar. En este caso, y en otros, la consigna sigue siendo: “Changer la vie”.

  1. ¿Está usted enterada de la lucha de la mujer por sus derechos en los siglos XIX y XX? ¿Sabe cuáles fueron los primeros en reconocerlos y hasta qué límites?

Ignoro estos temas.
***

[1] Reportagem com mulheres trabalhadoras e intelectuais argentinas realizadas pela Revista Sur, e publicada no número 326 de setembro 1970- junho 1971. As respostas de Alejandra Pizarnik constam nas páginas 327-8. Tradução de Nina Rizzi.

[2] No original: “Quand sera brisé l’infini servage de la femme, quand elle vivra pour elle et par elle, l’homme, jusqu’ici abominable, — lui ayant donné son renvoi, elle sera poète, elle aussi! La femme trouvera de l’inconnu! Ses mondes d’idées différeront-ils des nôtres? — Elle trouvera des choses étranges, insondables, repoussantes, délicieuses; nous les prendrons, nous les comprendrons.”

 

 

 

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